terça-feira, 27 de abril de 2010

E sem perceber eu havia acabado de mergulhar naquele par de olhos quase verdes e quase azuis. Tão misteriosos quanto o mar e rasos quanto um rio. Estreitava os olhos para tentar ver o que havia por trás deles, me perdendo na profundidade daquele olhar.
Eu segurava suas mãos acima de sua cabeça e a apertava com as coxas nuas pela cintura. A meia luz do ambiente e as paredes de um salmão vulgar berravam amores proibidos e gemidos gritados naquela imensa cama quadrada.

- Você vai me muito caro por isso, juro! - disse ela em tom sério, me devorando com aqueles olhos.

Malditos espelhos. Eram três, imensos e lindamente emoldurados em toda a extenção da parede na cabeceira da cama.
Ele era alto, tinha pêlos pelo corpo e mãos proporcionais ao seu tamanho. Mãos que passeavam por sua própria virilha enquanto nos invadia com os olhos.

- Vou é? Vou pagar como? - respondi em tom desafiador.

Ela me olhava com uma fúria que desconheci. Era algo exageradamente carinhoso e terno. Uma raiva dócil ou qualquer outro sentimento que traduza o misto de dois extremos.
Seus cabelos quase loiros desenhavam-lhe flores sob o lençol branco enquanto o silêncio nos imergiu por segundos. Que nojo daquela respiração escapada por entre os dentes dele.
Quando nos deixou na porta de minha casa, não desejei outra coisa no mundo a não ser estar perto dela, só dela.

- Acho que você precisa me cobrar algo. - eu disse subindo os degraus e a vendo ficar menor.

De maneira incrivelmente carinhosa ela não me cobrou, ao invéz disso nós nos dividimos a noite toda, e de forma mútua.

Agora sou mais algumas certezas...
... Não gosto de espelhos, DELES e amo estar com ela.



[Playlist: Low Shoulder - Through The Trees]


Vou lá me encher de cheiro pra ela <3
Beijo ;*

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